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Blog TQI
30/09/2026

76% das empresas gastam mais de 70% do orçamento de TI para manter sistemas antigos no ar

76% das empresas gastam mais de 70% do orçamento de TI para manter sistemas antigos no ar
Pesquisa da TQI com Fundação Dom Cabral e Integratum, feita com 51 empresas brasileiras (57% delas faturando mais de R$ 500 milhões/ano), mostra que 76% ainda gastam 70% ou mais do orçamento de TI mantendo sistemas legados no ar. A boa vontade para modernizar já existe, 88% das empresas dizem estar planejando ou avançando nesse processo, mas o preparo das equipes é o maior gargalo: só 16% se consideram prontas para operar em ambientes digitais orientados por dados. A IA já é vista como fator decisivo por quase metade dos entrevistados, mas apenas 8% das empresas dizem usá-la de forma estruturada.

A modernização tecnológica já entrou na agenda das grandes empresas brasileiras — mas a manutenção de sistemas legados, como mainframes, continua consumindo a maior fatia do orçamento de TI. É o que mostra uma pesquisa da TQI, empresa brasileira de tecnologia com mais de 30 anos de atuação, em parceria com a Fundação Dom Cabral e a Integratum: 76% das empresas consultadas destinam 70% ou mais do orçamento de TI só para sustentar ambientes já existentes, o que limita o espaço para investir em novas aplicações, arquitetura de dados e inteligência artificial.

O levantamento combinou uma etapa quantitativa, com 51 empresas de 19 setores, e entrevistas em profundidade com sete CIOs. Na amostra quantitativa, 57% das organizações faturam mais de R$ 500 milhões por ano, e 61% dos respondentes ocupam cargos de diretoria ou C-level — um recorte de empresas grandes, portanto, e não uma média do mercado como um todo.

Apesar da concentração orçamentária no legado, a pesquisa mostra que a resistência à mudança não é mais o problema central: 88% das empresas já estão planejando, iniciando ou avançando em algum grau de modernização de seus ambientes.

Ao mesmo tempo, 62% classificam como alta ou muito alta a dependência do negócio em relação aos sistemas legados, e 55% apontam a sustentação de processos críticos como uma das principais contribuições desses sistemas — ou seja, o legado incomoda, mas ainda sustenta a operação.

Muitas empresas precisam evoluir ambientes que continuam sustentando processos essenciais, receita e relacionamento com clientes. Isso exige uma leitura cuidadosa do que deve ser preservado, do que precisa evoluir e de como liberar capacidade para novas frentes sem aumentar o risco operacional, afirma Mário Anseloni, CEO da TQI.

O gargalo real não é tecnológico

O dado mais revelador do estudo está na preparação das equipes, não na disposição da liderança. Enquanto 76% dos respondentes dizem que a modernização já é tratada como agenda compartilhada entre TI e negócio, ou como prioridade estratégica executiva, e 64% avaliam como alto o apoio da liderança às iniciativas de transformação, apenas 16% classificam como alto ou muito alto o preparo das próprias equipes para atuar em ambientes digitais orientados por dados. Outros 51% consideram esse preparo apenas moderado, e 33% o avaliam como baixo.

O estágio em que cada empresa se encontra também muda o tipo de preocupação predominante. Entre as 22 organizações que ainda estão na fase de planejamento, 13 citaram o risco de interrupção de operações críticas como principal receio.

Já entre as 21 que já avançaram no processo, 18 relataram ganhos de produtividade nas áreas de negócio como resultado percebido, um sinal de que o medo inicial tende a dar lugar a resultado concreto conforme a modernização avança.

A IA já é vista como decisiva — mas raramente está integrada de fato

Para 47% dos participantes, análise de dados e IA estão entre os três fatores mais determinantes para o sucesso da transformação digital, à frente de itens como arquitetura, cibersegurança e liderança digital. O discurso, porém, ainda está à frente da prática: apenas 8% das empresas afirmam operar IA de forma estruturada e integrada à estratégia do negócio. Outros 35% já têm uso comprovado em áreas específicas, 29% mantêm apenas pilotos limitados, e 26% seguem em estágio inicial.

Quando o recorte é especificamente a modernização de sistemas, o quadro melhora um pouco: 33% dizem que a IA já funciona como acelerador relevante, com ganhos de produtividade mensuráveis. Nas entrevistas qualitativas com CIOs, os usos mais citados foram geração de código, automação e apoio à evolução de ambientes tecnológicos — sempre acompanhados de ressalvas sobre governança, qualidade dos dados e risco de perda de conhecimento interno.

Esse movimento não é exclusividade brasileira nem passa despercebido pelo mercado financeiro: em fevereiro, o anúncio de ferramentas de IA da Anthropic voltadas à modernização de sistemas em Cobol chegou a derrubar 10% das ações da IBM em um único dia, evidenciando o quanto o mercado bilionário de modernização de legado já é visto como vulnerável à automação por IA.

Entendimento do negócio pesa mais que preço na hora de escolher parceiro

Ao decidir com quem modernizar, as empresas parecem priorizar conhecimento sobre o próprio contexto acima de qualquer outro critério. O atributo mais citado na escolha de fornecedores foi “entendimento do negócio e do legado” (35% das menções), seguido por gestão de risco e continuidade (31%), solidez e robustez (25%) e histórico comprovado (24%).

Quanto mais crítica a operação, maior a necessidade de conectar conhecimento tecnológico ao contexto do negócio. As empresas estão modernizando ambientes dos quais ainda dependem intensamente e, por isso, o avanço tende a ocorrer com governança, conhecimento das aplicações existentes e uma visão clara de quais capacidades precisam ser construídas para os próximos anos, completa Anseloni.

Matéria originalmente publicada no portal Exame em 16/09/2026

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