A Febraban Tech 2026 encerrou sua maior edição de todos os tempos. Foram três dias, mais de 42 mil m² de área construída e seis palcos simultâneos no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo lideranças do setor financeiro sob o tema “Agentes Inteligentes, liderança humana”. O fio condutor do evento foi claro: como equilibrar automação, inteligência artificial e protagonismo humano na tomada de decisão — uma reflexão que ganhou ainda mais profundidade no terceiro e último dia, com a participação de John Maeda, referência mundial em design computacional, aproximando tecnologia e experiência humana.
No estande da TQI, esse espírito se traduziu em dois mini talks que resumem bem o momento que o setor financeiro está vivendo: de um lado, a necessidade de modernizar sistemas que sustentam operações críticas há décadas; do outro, a busca por flexibilidade para rodar cargas de trabalho em qualquer ambiente, sem perder controle. Contamos os dois abaixo.
O primeiro mini talk do dia trouxe Fernando Vermelho, da IBM, e Ademir, da TQI, para discutir como modernizar uma tecnologia: o maiframe.
O mainframe tem mais de 60 anos. Há cerca de 55, a IBM fez uma promessa aos seus clientes: compatibilidade binária garantida — aplicações escritas no passado continuariam rodando nas versões mais novas da plataforma. E cumpriu. Hoje, códigos escritos em Assembler ou COBOL há décadas ainda rodam, sem sobressaltos, em um mainframe z17.
Só que essa força também tem um ponto de atenção. Porque é como pedir vida eterna ao gênio da lâmpada: você segue vivo, mas o mundo ao redor muda, evolui, e você continua ali, fazendo o que sempre fez — muito bem, mas sem aproveitar tudo o que existe de novo. Muitas aplicações financeiras estão exatamente nesse ponto: rodando com excelência há 50 anos, mas sem explorar os recursos que o hardware atual oferece, como aceleradores de IA, GPUs e todo o ecossistema Linux e OpenShift disponível na plataforma mais recente.
É aí que entra a modernização, ou seja, quando a IA generativa muda o jogo. Em vez de reescrever do zero (um processo caro, arriscado e que historicamente vem sendo adiado há 20, 30 anos, sempre empurrado para “a próxima gestão”), a proposta é usar agentes de IA, como o agente Bob, para entender essas aplicações legadas, mapear suas regras de negócio e retrabalhá-las com segurança para o mundo moderno — preservando décadas de conhecimento acumulado no código.
A conversa também passou por um tema que tem ganhado força no mercado: a repatriação de dados e workloads. Depois de anos de “vai todo mundo para a nuvem”, muitas empresas estão repensando essa decisão diante de custos crescentes e preocupações com soberania de dados. A resposta não está em escolher um lado só, mas em avaliar, aplicação por aplicação, o que realmente precisa de alta escalabilidade e o que exige a resiliência e a segurança que só o mainframe entrega.
Se o primeiro talk olhou para dentro do mainframe, o segundo ampliou a lente. Com Daniela Amaral, da SUSE, a conversa trouxe uma pergunta que complementa perfeitamente a anterior: depois de decidir modernizar, onde cada carga de trabalho deve, de fato, rodar?
Daniela apresentou uma visão de modernização que não depende de escolher um único ambiente. Nuvem pública, privada, on-premises, híbrida — a ideia é dar às empresas liberdade real para decidir, com controle e governança, onde cada aplicação faz mais sentido, sem ficar refém de uma única estratégia de infraestrutura.
Essa flexibilidade dialoga diretamente com o momento vivido pelo setor financeiro: não existe mais uma resposta única de “vá para a nuvem” ou “fique no mainframe”. Existe, sim, uma decisão estratégica, tomada com base em resiliência, segurança, custo e criticidade de cada sistema.
Os dois mini talks, juntos, contam uma história maior sobre o momento atual da tecnologia no setor financeiro: modernizar não é sobre abandonar o que funciona, é sobre potencializar cada camada da infraestrutura — do código legado ao ambiente onde ele roda — com inteligência artificial aplicada de forma estratégica.
Foi assim que a TQI encerrou sua participação na maior edição da história da Febraban Tech. Agradecemos a todos que passaram pelo nosso estande, participaram das conversas e trocaram experiências conosco ao longo dos três dias de evento.
Seguimos construindo o futuro da tecnologia financeira.
Quer entender como modernizar suas aplicações mainframe com IA generativa? Fale com o time da TQI.
2026 TQI - Todos os direitos reservados